Sábado, chegamos ao Parque da Jaqueira, eu e meu ciclista preferido, Pedro. Ao sentar na bicicleta e tentar a primeira pedalada, ele logo disse com o tom de decepção na voz: "o freio está com problema, não está parando".
Fiquei logo com princípio de pânico. Quem me conhece sabe que não sou das mais tranqüilas para acidentes, sejam eles ciclísticos ou não.Parecia que nossos planos para o sábado estavam por um fio.
Não deixaria Pedro andar de bicicleta sem freios, logo teria que voltar para casa sem fazer a minha caminhada, ou então ele teria que esperar de cara azeda pelos meus seis quilômetros.
Imediatamente, Deus deu uma força e lembrei do senhor que conserta bicicletas por trás dos banheiros do parque. Claro que decidimos arriscar a sorte. Valia dar uma rezadinha para todos os santos para que o problema fosse simples e desse pra resolver rapidamente. Assim, não perderíamos o dia tão ensolarado.
Lá foi Pedro arrastando a querida bicicleta. Em pouco tempo, voltou com as notícias: "Mamãe, o rapaz falou que precisa lubrificar os freios e que o serviço vai custar cinco reais". Que alívio! Que alegria! Felicidade barata, hein?
Pedro levou os tais reais e sentou-se pra esperar. Eu, com disposição redobrada, comecei a caminhada. Na primeira volta, tive a idéia de descobrir ou desvendar quem seria o santo das bicicletas. Fui me aproximando e fiz uma foto do esperançoso e conformado Pedro esperando na fila sua vez de consertar os freios.
Perguntei ao senhor como se chamava e a resposta me deixou animada. Tive certeza de que era um personagem excelente para o blog “Parque da Jaqueira”: “Meu nome é José Januário, mas não gosto. Prefiro que me chamem de Baixinho da Bicicleta. É muito mais fácil de me reconhecerem. Todo mundo vê que sou baixinho e vivo rodeado de bicicletas. Vão saber logo quem sou eu”.
Dei risada e Pedro animou-se: a bicicleta já estava pronta. Continuei a conversa indagando como ele tinha chegado à Jaqueira. Ele explicou: "Estava morando em Recife com a família, trabalhava aqui perto. Um belo dia, nós viemos fazer um passeio aqui, e percebi que havia muitas bicicletas e ninguém para consertá-las. Pedi demissão do meu emprego e me instalei aqui".
Isso é que é noção de oportunidade de negócios. Pra que consultar economistas?
E assim o Baixinho da Bicicleta já está no Parque da Jaqueira há 23 anos. Ele ainda informa: “Se alguém quiser consertar bicicletas por estas bandas, tem que ser aqui comigo, porque o lugar mais perto daqui que faz este tipo de serviço é lá na rua José Maria, no caminho de quem vai pra Encruzilhada”.
Tirei algumas fotos dele exercendo seu ofício. Ele pousou com orgulho. Prometi que na próxima visita vou levar este post do blog para que possa guardar de lembrança.
Hoje, o Baixinho voltou a morar em sua cidade natal, Lagoa de Itaenga, mas vem para Recife todos os dias e conserta uma média de 15 bicicletas por dia.
Ele já me livrou de frustrações semelhantes. SEm falar que trabalha super bem, heheheheheh
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