quinta-feira, 25 de março de 2010

Encenação sobre os cuidados com a água reúne 600 crianças na Jaqueira

Fonte: Prefeitura do Recife














Dando continuidade às comemorações da Semana Municipal da Água, cerca de 600 crianças do Programa de Erradicação do Trabalho Infantil (Peti) da Prefeitura e de escolas estaduais tiveram a oportunidade de acompanhar, na tarde desta quarta-feira (24), uma pequena encenação teatral sobre os cuidados essenciais com a água e a necessidade de evitar o desperdício. A iniciativa é uma parceria das Secretarias de Meio Ambiente, Assistência Social e da Agência Estadual do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (CPRH).

O esquete, denominado “E eu com isso”, conta a história de um garoto que ao tomar banho em um rio machuca a cabeça em uma garrafa descartável. Eis que então surge a Dona Água para explicar o problema da poluição e relembrar o tempo em que era límpida e acessível a todos. Outro personagem do conto é o Formigão, que entra na discussão para alertar as pessoas sobre o uso indiscriminado de agrotóxicos e outros poluentes.

O pequeno Carlos, de apenas 7 anos, era um dos mais animados com a encenação. “Aprendi que é necessário economizar a água para que no futuro ela não falte para ninguém. Além disso, não podemos deixar que as pessoas poluam os rios, porque senão a água para beber e tomar banho vai terminar acabando”, explicou com a inocência inerente aos mais jovens.

Para o secretário de Meio Ambiente, Roberto Arrais, o trabalho com as crianças é o melhor caminho para que os frutos sejam colhidos no futuro. “É essencial que consigamos incutir na cabeça das crianças a ideia de que elas também são responsáveis por preservar o meio ambiente e seus recursos naturais. Agindo agora, temos uma possibilidade grande de mudarmos atitudes de consumo, além dos cuidados com a conservação da natureza”, comentou.

A programação da Semana Municipal da Água segue até o próximo domingo (28). Nesta quinta (25), haverá uma sensibilização com a população na Ponte Duarte Coelho e no sábado (27), a panfletagem acontece no Parque 13 de Maio. As duas ações acontecem às 9h. Já no domingo, uma feira de artesanato com material reciclado terá lugar no Parque da Jaqueira durante todo o dia. Ainda no domingo, acontece uma regata no Marco Zero e uma exposição de fotografias e pinturas idealizadas no Dia Mundial da Água.

quarta-feira, 24 de março de 2010

O Baixinho da bicicleta





Sábado, chegamos ao Parque da Jaqueira, eu e meu ciclista preferido, Pedro. Ao sentar na bicicleta e tentar a primeira pedalada, ele logo disse com o tom de decepção na voz: "o freio está com problema, não está parando".

Fiquei logo com princípio de pânico. Quem me conhece sabe que não sou das mais tranqüilas para acidentes, sejam eles ciclísticos ou não.Parecia que nossos planos para o sábado estavam por um fio.

Não deixaria Pedro andar de bicicleta sem freios, logo teria que voltar para casa sem fazer a minha caminhada, ou então ele teria que esperar de cara azeda pelos meus seis quilômetros.

Imediatamente, Deus deu uma força e lembrei do senhor que conserta bicicletas por trás dos banheiros do parque. Claro que decidimos arriscar a sorte. Valia dar uma rezadinha para todos os santos para que o problema fosse simples e desse pra resolver rapidamente. Assim, não perderíamos o dia tão ensolarado.

Lá foi Pedro arrastando a querida bicicleta. Em pouco tempo, voltou com as notícias: "Mamãe, o rapaz falou que precisa lubrificar os freios e que o serviço vai custar cinco reais". Que alívio! Que alegria! Felicidade barata, hein?

Pedro levou os tais reais e sentou-se pra esperar. Eu, com disposição redobrada, comecei a caminhada. Na primeira volta, tive a idéia de descobrir ou desvendar quem seria o santo das bicicletas. Fui me aproximando e fiz uma foto do esperançoso e conformado Pedro esperando na fila sua vez de consertar os freios.

Perguntei ao senhor como se chamava e a resposta me deixou animada. Tive certeza de que era um personagem excelente para o blog “Parque da Jaqueira”: “Meu nome é José Januário, mas não gosto. Prefiro que me chamem de Baixinho da Bicicleta. É muito mais fácil de me reconhecerem. Todo mundo vê que sou baixinho e vivo rodeado de bicicletas. Vão saber logo quem sou eu”.

Dei risada e Pedro animou-se: a bicicleta já estava pronta. Continuei a conversa indagando como ele tinha chegado à Jaqueira. Ele explicou: "Estava morando em Recife com a família, trabalhava aqui perto. Um belo dia, nós viemos fazer um passeio aqui, e percebi que havia muitas bicicletas e ninguém para consertá-las. Pedi demissão do meu emprego e me instalei aqui".

Isso é que é noção de oportunidade de negócios. Pra que consultar economistas?
E assim o Baixinho da Bicicleta já está no Parque da Jaqueira há 23 anos. Ele ainda informa: “Se alguém quiser consertar bicicletas por estas bandas, tem que ser aqui comigo, porque o lugar mais perto daqui que faz este tipo de serviço é lá na rua José Maria, no caminho de quem vai pra Encruzilhada”.

Tirei algumas fotos dele exercendo seu ofício. Ele pousou com orgulho. Prometi que na próxima visita vou levar este post do blog para que possa guardar de lembrança.

Hoje, o Baixinho voltou a morar em sua cidade natal, Lagoa de Itaenga, mas vem para Recife todos os dias e conserta uma média de 15 bicicletas por dia.

quinta-feira, 11 de março de 2010

Um paraíso


Encantador, alegre, calmo, democrático, bonito e cheio de vida. Assim é o Parque da Jaqueira. Um paraíso no meio da cidade.

No início do ano passado, havia deixado o antigo trabalho e ainda não havia recomeçado as novas atividades (jeito bonito de falar do desemprego) decidi caminhar no Parque da Jaqueira. Ar, verde e beleza para estruturar um projeto de vida cheia de saúde.


Dois projetos que persigo até hoje com passos firmes caminhando muitos quilômetros: emagrecer e parar de fumar. Ainda não consegui nenhum, mas tive oportunidade de me apaixonar perdidamente por um pedacinho desta cidade que nunca tinha visto tão de perto. Parece incrível, mas morei os últimos dez anos sempre em volta do Parque: Tamarineira, Espinheiro, Casa Amarela, e agora na Madalena. Mudei tanto de casa nesse tempo que até parece que não pago aluguel, né? Mas não é verdade, não.


Meu filho estuda no Colégio São Luís, minha família toda mora nas redondezas. Até que levava Pedrinho pra lá quando ele era mais novo, mas, mesmo assim, minha miopia não permitia ver quanta vida e beleza há naquele lugar. É um privilégio viver na Jaqueira, caminhar embaixo de tantas árvores, deitar na grama, assistir os meninos no bicicross, pessoas fazendo Tai chi chuan, ginástica, casamentos.


E o corujaqueira, então? É um charme a parte. Como é legal ver todas aquelas pessoas reunidas pra andar de bicicleta. Naquela turma, ninguém esperou para que a cidade tivesse espaços adequados para o ciclismo. Foi sim a união daquelas pessoas que tornou possível cruzar o Recife de bicicleta em roteiros maravilhosos. É uma pena que ainda não tenho vida saudável suficiente para pedalar 30 quilômetros.


Por todo esse amor que sinto pela Jaqueira e pela enorme alegria que dá em observar o povo bonito e cheio de novidades que anda por lá, é que que me deu na telha fazer este blog, onde pretendo registrar a vida do parque e de tudo que acontece em seu entorno.


Esse blog será um espaço para todas as pessoas que queiram meter a mão na massa e me ajudar nessa empreitada de contar as expectativas de quem passa por lá, as histórias de quem vive do parque, os acontecimentos importantes da Jaqueira, os bastidores da vida sob a sombra de árvores centenárias.